Da orientação à produção de materiais: como a acessibilidade acontece na graduação a distância da UFRN
Por Larissa Bezerra – Assessoria de Comunicação da SEDIS/UFRN
Na Educação a Distância (EaD), a acessibilidade está presente em diferentes etapas da formação, desde a identificação das necessidades educacionais até a produção e disponibilização de materiais adequados. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esse trabalho envolve a Secretaria de Inclusão e Acessibilidade (SIA) e a Secretaria de Educação a Distância (SEDIS), que atuam de forma articulada para considerar as especificidades dos estudantes ao longo do processo de aprendizagem.
O atendimento começa com a apresentação do estudante à SIA, onde uma equipe multidisciplinar realiza uma análise para identificar suas necessidades educacionais especiais (NEE). A partir dessa avaliação, são elaboradas orientações pedagógicas que chegam aos profissionais envolvidos na formação e também orientam os encaminhamentos da SEDIS. “Após o estudante formalizar sua condição junto à Universidade, a SIA realiza uma análise e elabora um laudo com informações sobre a deficiência e orientações pedagógicas para que sejam consideradas as especificidades nas atividades”, explica Dennys Leite Maia, coordenador pedagógico da SEDIS.
A partir dessas orientações, a SEDIS acompanha as demandas apresentadas pelos estudantes, que podem envolver diferentes momentos da formação. Segundo Rafael Garcia, responsável por demandas de adaptações acessíveis a estudantes com deficiência na SEDIS, inicialmente, a maior parte das solicitações estava relacionada à adaptação dos materiais didáticos. Com o tempo, o trabalho passou a contemplar outras necessidades. “Quando começamos a atender estudantes com NEE nos cursos a distância aqui na UFRN, a maior demanda era adaptação dos materiais didáticos fornecidos a eles a cada semestre. Posteriormente, essas demandas tornaram-se diversificadas: adaptações nas provas, no ambiente virtual… Algumas vezes já atuamos como consultores em ações específicas, como atividades de estágio supervisionado”, relata.

Rafael Garcia, da SEDIS, durante a edição de vídeoaula com inserção de janela de Libras como recurso de acessibilidade (Foto: Acervo SEDIS)
Essas demandas também podem envolver a atuação de diferentes profissionais ao longo da formação. Um exemplo citado por Dennys é o de um estudante surdo do polo de Nova Cruz, que conta com um tutor específico para atuar como intérprete de Libras. Segundo o coordenador, “as orientações pedagógicas passadas previamente pela SIA são utilizadas justamente para que especificidades como essa sejam consideradas pelos profissionais na realização das atividades”.
Na produção e adaptação dos conteúdos, essas demandas podem resultar em diferentes recursos de acessibilidade. Entre eles estão livros com fonte ampliada, materiais digitais otimizados para leitores de tela, descrição de imagens e recursos audiovisuais com audiodescrição, legendagem para surdos e ensurdecidos e janela de Libras. Também são realizadas adaptações em materiais interativos e orientações aos desenvolvedores sobre recomendações de acessibilidade.

Material didático com fonte ampliada produzido para atender às necessidades de estudantes com baixa visão na graduação a distância da UFRN (Foto: Acervo SEDIS)
Esse trabalho atende atualmente a estudantes com diferentes necessidades nos cursos a distância. No semestre 2026.2, a UFRN registra 45 estudantes da EaD com deficiência, distribuídos em oito cursos. Pedagogia concentra 14 estudantes, seguida por Administração Pública, com nove. Geografia, Física e Ciências Biológicas têm cinco estudantes cada; Letras, três; e Matemática e História, dois.
Além das adaptações realizadas a partir de demandas específicas, a acessibilidade também começa a ser incorporada à produção dos conteúdos desde o início. No semestre anterior, os materiais da disciplina de Organização do Espaço foram reformulados com a inserção de descrições de imagens nas figuras dos livros digitais e legendas para as videoaulas.
Para Eugênia Maria Dantas, professora titular do Departamento de Geografia da UFRN e atuante na modalidade a distância, a experiência permitiu pensar a acessibilidade desde a elaboração dos conteúdos. “A acessibilidade no ensino e no material didático requer um cuidado que começa por diagnosticar quais dificuldades de aprendizagem estão associadas às necessidades de quem aprende. Nesse sentido, temos que conceber materiais para atender à diversidade de necessidades que atravessa as nossas salas de aula virtuais”, afirma.

Material didático da disciplina Organização do Espaço, com recursos de acessibilidade incorporados desde a etapa de produção. (Foto: Acervo SEDIS)
A professora destaca que a disciplina Organização do Espaço também serviu como local de experimentação para as equipes envolvidas na produção dos conteúdos. “Ela serviu de laboratório para estimular as equipes responsáveis a agregar aos conteúdos as condições de uso do material pelos discentes em suas diversas exigências de aprendizagem. Certamente precisamos melhorar os níveis de interação, mas já estamos começando e isso é muito importante”, acrescenta.
A experiência mostra que a acessibilidade na EaD envolve diferentes etapas, recursos e profissionais. Das orientações iniciais ao desenvolvimento dos materiais, cada adaptação ajuda a reduzir barreiras e a ampliar as possibilidades de acesso, participação e permanência de pessoas com deficiência na Universidade.
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